O início dos anos 80 viu surgir, em escala global, as chamadas organizações não-governamentais, em sua grande maioria, vinculadas à defesa do meio ambiente. Sem dúvida, o movimento ambientalista significou a libertação da sociedade civil das peias do Estado e consolidou um novo modelo de cidadania participativa. A economia privada também se sentiu incomodada por essa interferência em seus processos decisórios nas questões que envolviam o uso de recursos naturais.
De modo geral, as chamadas ONGs provocaram o fortalecimento das políticas públicas ambientais, contribuindo significativamente para a confirmação dos ideais de uma geração que tinha por desejo participar ativamente da construção de uma sociedade justa, livre e solidária, baseada no princípio do desenvolvimento sustentável. De certo modo, havia um certo equilíbrio de forças.
Mister se faz lembrar que anteriormente ao movimento ambientalista tudo nessa era feito e controlado pelo Estado. O Século XX foi marcado por políticas totalitárias – de direita e de esquerda - que dizimaram milhões de vidas humanas e promoveram um modelo insustentado de desenvolvimento, marcado pelo uso irracional dos recursos naturais do Planeta.
Desafiado por essa “estratégia civil”, inicialmente o Estado tentou minimizar a importância das ONGs, cerceando-as de contribuir para a formulação e aplicação das políticas públicas ambientais. Em seguida, por intermédio da Organização das Nações Unidas - ONU adotou a estratégia de utilizar os ideais do movimento para a realização de diversos eventos mundiais, tais como a Reunião de Estocolmo, em 1972, e a Rio – 92, e formular, egoisticamente, as ações e estratégias relacionadas à salvaguarda do meio ambiente planetário. Um claro exemplo disso está na Agenda 21.
Por fim, cooptou as principais lideranças ambientalistas, seja por meio do financiamento público de políticas ambientais privadas, ou, sua vinculação direta com a máquina estatal, contratando-as para ocuparem cargos públicos.
O setor econômico seguiu a mesma direção. De algum modo, a maioria das empresas vinculam-se por algum tipo de financiamento a
programas sociais promovidos por entidades ambientais, forçando uma imagem de responsabilidade social inexistente em boa parte dos casos.
Em síntese, praticamente voltamos à estaca zero. Tal retrocesso necessita ser avaliado urgentemente. A atuação hegemônica do Estado e da economia de mercado, num mundo marcado pela complexidade e reativo às infinitas necessidades humanas, contrapõe-se à construção de uma sociedade libertária, crítica e participativa, anulando a diversidade planetária.
