Relutei em escrever sobre as tragédias cotidianamente noticiadas nos meios de comunicação em geral. Tornou-se lugar comum falar em milhares de mortos e feridos em meio a terremotos, tempestades, enchentes, deslizamentos de terras, tsunamis, nevascas, temperaturas elevadas, etc.
Todo mundo discute as causas desses lamentáveis acontecimentos. É enorme a quantidade de especialistas que, pela mídia, apresentam soluções incríveis para evitá-los. O ocorrido no Estado do Rio de Janeiro ilustra bem essa questão e coloca no imaginário da população uma indagação do por que das mais de duas centenas de mortes se, como dizem os técnicos, a adoção de medidas preventivas de baixo custo poderia evitá-las.
Via de regra, os meios de comunicação elegem os algozes do caos. A culpa ou é do governo do PT, do PDT, do PSDB, ou, nominando, do Lula, do Serra, do Sergio Cabral, mas certo é que sempre há um culpado de plantão. Claro que isso não ocorre de maneira aleatória. A responsabilidade será atribuída “a quem de direito” conforme o vínculo ideológico do canal de comunicação com esse ou aquele político ou partido.
Muitos põem a culpa na própria Natureza. Outros a atribuem à humanidade. Há ideologia aqui também. A crítica recai sobre o modo de produção e consumo do capitalismo.
É sabido que o número de pessoas cresce vertiginosamente e quase não há lugares inexplorados no Planeta. As áreas de risco são ocupadas principalmente pelas populações mais pobres, e são elas quem geralmente expelem suas lágrimas diante das câmeras de TV, na Internet e fotografias dos jornais. Fazem isso em função da perda de amigos e parentes. Essa dor é sincera. A interpretada pelos apresentadores de noticiário é mais fingimento: quem chora menos perde mais.
Tudo acontece como uma cena do Big Brother. A maneira como as imagens, em tempo real, entra em nossas vidas nos tornam um pouco frios em relação à tragédia alheia. Consumimos a notícia como um produto a mais, bancada por um patrocinador. O modo como exploram a dor revela certo prazer em anunciar as misérias humanas. Cruz credo desse povo.
