“Gestor cultural: Alguém que, como o artista, se prepara como nenhum outro para lidar com as incertezas de um tempo que colhe os frutos do desenvolvimento tecnológico e da ciência, mas ao mesmo tempo paga a conta da irresponsabilidade para com seus pares, seu planeta e com a vida”. - Leonardo Brant
Sou produtora cultural, por insistência e por acreditar no potencial da nossa cultura e dos nossos artistas. Mas será que existe essa reciprocidade? Não existe, ainda! Vejo isso no nosso dia a dia e pude ouvir isso também do Secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, Newton Cannito, no debate que aconteceu recentemente em Paulínia sobre as políticas culturais para o cinema.
Cannito fez uma comparação com um time de futebol. Não adianta dar recurso para o jogador e não oferecer a ele qualquer estrutura. “Tem que começar a financiar o time e não somente o filme”, disse ele, que também comentou sobre a falta de pesquisa, planejamento e inovação nas iniciativas culturais, muitas vezes por falta de tempo e dinheiro.
Concordo com ele. Normalmente quando o produtor trabalha em um projeto, ele pensa na aplicabilidade dele e faz todo um planejamento. E isso, lógico, custa. Quantas vezes já ouvi que os projetos da 3marias “saem caro”. Planejamento então? Nem se fala... Tudo é pra ontem! Quando falamos que o correto é pensar um projeto pra que ele aconteça daqui a um ano (e olha lá), fica a impressão de que estamos falando outra língua. Captação de recursos é outra batalha. O próprio Cannito comentou da demora para produzir e finalizar um filme devido a falta de patrocínio. E muitas vezes o produtor tem que fazer o artista entender e acreditar que o "problema" não é ele e nem a arte dele! Difícil...
Mas cabe aqui também fazer um alerta quanto aos setores públicos que avaliam os projetos. Já vivemos o drama de ver cortados do projeto os custos de produção. Pelo fato de Cannito ser roteirista e também já ter vivenciado as dificuldades de produzir e conseguir investimentos para um projeto, no caso, seus filmes, ele fala do assunto com sabedoria. O correto seria todos esses pareceristas serem da área, já terem vivido neste mundo da produção para também entenderem a necessidade de se investir no todo e não somente no produto final.
E outra, valorizar o artista. Mas a valorização do artista em nosso país já é tema para um outro artigo. Voltando... E um projeto vai desde a pré-produção, passando pela execução, até a prestação de contas. O produtor, neste caso, é visto como “o chato”, pois ele já tem a visão do todo e na execução cobra mais dos realizadores para que no final não venham a ter problemas com a prestação de contas.
Tenho participado de debates e eventos culturais e a profissionalização do setor cultural está entre os temas mais comentados. Sem dúvida, a capacitação do gestor cultural e de toda a cadeia produtiva é o caminho para que tenhamos iniciativas culturais com resultados satisfatórios e que possam ser aplaudidas, em pé!
No site Cultura e Mercado (www.culturaemercado.com.br) existe um artigo que fala do Gestor Cultural como sendo o profissional do futuro. Gostaria mais que fosse do presente, mas vamos acreditar que esse futuro esteja próximo.
