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Domingo, 20 de Maio de 2012
COLUNAS | CULTURA
Em 13/8/2010 às 17:04
A arte de administrar
Divulgação
Bassetti autorizou liberação de recursos para salvar o Casarão

“A cultura é um tesouro, um ativo social e econômico em permanente estado de transformação”. - Gilberto Gil

Estive em um evento na Câmara de Americana na segunda-feira (09/08) e confesso que fiquei emocionada, por várias razões. A primeira foi de ter o privilégio de ser convidada para estar ali, naquele momento; depois pelo fato de rever e abraçar amigos e ter contato com outras pessoas que só conhecia virtualmente (bendito Twitter); e ainda por poder conhecer um pouco mais da vida de duas pessoas que tiveram a oportunidade de, por meio da arte de administrar, promover o bem!

Os homenageados foram os senhores Américo Luiz Schneider, que recebeu o título de Cidadão Americanense, e Paulo Celso Bassetti, agraciado com a Medalha “Herbert de Souza – Betinho” . Podemos ver nos dois casos que a família foi o alicerce para que pudessem vir a construir esse trabalho NA e EM comunidade. Parabéns aos dois!

Tomo a liberdade de destacar neste artigo o artista Paulo Bassetti, que gosta um bocado de causos, como um bom Piracicabano. Então vou contar um! Numa manhã, Luciana Bueno, da área de Comunicação e Responsabilidade Social do Conpacel, ligou na 3marias para que pudéssemos mostrar ao diretor da empresa o Casarão de Salto Grande. Expectativa e nervosismo, já que o projeto ainda não tinha patrocinador e, também, por acreditar não ser uma tarefa fácil falar sobre a importância e a necessidade de preservarmos um patrimônio cultural. Corrigindo, falar é fácil, difícil é fazer-se entender!

Mas para nossa surpresa, uma visita que era para ser rápida, demorou mais de uma hora. O senhor Paulo, mesmo não sendo de Americana, ficou encantado com o Casarão e com toda a sua história, muito bem contada, naquele dia, pela diretora do Casarão na época, Mônica Rehm. E, ao contrário do que imaginei que pudesse acontecer, mais ouvi do que falei (e olha que gosto um pouquinho de falar). Paulo Bassetti contou que fazia parte do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba e passou para quem estava ali, acompanhando a visita, o seu conhecimento nessa área de patrimônio cultural. 

Depois da visita, é lógico que a possibilidade da empresa vir a investir no projeto muito nos alegrava, mas independentemente da resposta a ser dada sobre o investimento, saí muito contente daquele encontro, pois vi o entusiasmo dele, e do diretor senhor José Gil Pereira, que também acompanhou a visita, com o nosso Casarão. Quase inacreditável: um administrador com todo aquele conhecimento cultural, sensível, apaixonado por patrimônio, restauro. Sinal de que estávamos (produtora, arquiteta e restaurador) certos quando decidimos lutar pelo Casarão.

Restaurar um patrimônio tem um custo muito alto e por isso, muitas vezes, não é visto como prioridade, pois “não dá” ao patrocinador a mesma visibilidade que se tem ao investir num mega show, por exemplo. Restauro também pode ser, num primeiro momento e no olhar de muitos, um investimento inútil.

Ao chegar na 3marias, naquele mesmo dia, o telefone tocou com a notícia de que o Conpacel daria os 20% necessários para dar início às obras. E foram essas obras que salvaram o Casarão de um desmoronamento parcial, devido às fortes chuvas que caíram em Americana, logo após a conclusão da troca do telhado e de todo o madeiramento dos beirais. O restaurador e a arquiteta afirmaram que se não tivesse acontecido essa obra emergencial, algumas paredes do Casarão não iriam suportar tanta água e, com toda certeza, virariam ruínas.

Com esse “causo”, verídico, dá pra perceber a diferença que faz ter uma pessoa dotada com a arte de administrar na direção de uma empresa. Temos muitas empresas em Americana, que poderiam investir no Casarão de Salto Grande e até mesmo em outros projetos culturais, sociais e ambientais existentes na cidade. Mas com certeza elas não têm no comando profissionais com esta arte.

E como Paulo Bassetti cita em seu livro - Gestão sem máscaras -, “a ordem é trabalhar em equipe” e por isso ele tem uma bela equipe de colaboradores. Provavelmente ele não teria recebido essa medalha se tivesse agido sozinho. Pode ser que ele nem saberia da existência do Casarão, por exemplo. Lógico que, se ele não tiver essa visão social, a equipe poderia apresentar o Casarão (e tantos outros projetos de relevância para a comunidade) e o projeto ir parar no fundo de uma gaveta. Mas ter ao lado profissionais também comprometidos com o “fazer o bem” é fundamental. Portanto, pra mim, essa medalha vai também para toda a equipe Conpacel.

Comecei e agora termino esse artigo com uma fala do músico Gilberto Gil, quando ainda era Ministro da Cultura: “Há empresas que recorrem à cultura como exercício de responsabilidade social. Há também as que encaram seus patrocínios como instrumentos de relacionamento ou de divulgação de produtos e serviços. Há quem veja as atividades culturais como oportunidades de negócios, de construção de marca ou de revitalização de suas identidades corporativas. Todas estão certas. A cultura é isso tudo, ao mesmo tempo”.

Que mais empresas possam exercitar essa cidadania corporativa em nossa cidade. Oportunidades não faltam!

(Um abraço aos produtores do Cineclube Estação - que também estavam na Câmara -, que têm levado o cinema aos bairros por meio do CineConpacel - “A gente não quer só comida... quer diversão e arte”.)

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