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Domingo, 20 de Maio de 2012
COLUNAS | UNIVERSO FEMININO
Em 29/10/2010 às 11:22
Mulheres no poder

Demorou para escrever, mas sobrou um tempinho e resolvi comentar um assunto que adoro: política.

Todo mundo já sabe que tem uma mulher disputando o segundo turno à Presidência da República, a Dilma Rousseff, do PT, contra um homem, o José Serra, do PSDB. Não é a guerra dos sexos, não, minha gente. É a realidade. Acho extremamente saudável esta competição.

Apesar de a Dilma não ter dado um viés com discurso feminista nesta campanha, na minha avaliação, só a sua presença no segundo turno já demonstra a maturidade da sociedade brasileira, que mostra estar preparada para eleger a primeira presidente - isso se as pesquisas do segundo não estiverem furadas como as do primeiro turno.

Não sou feminista ao extremo de achar que os homens não devem ter vez. Pelo contrário, são as virtudes e os defeitos de ambos os sexos que fazem o mundo andar. Mas realmente são poucas as mulheres que se sobressaem na política mundial, nacional ou até mesmo regional. É só prestar atenção.

Mas as poucos, a mulher começou a participar mais da política. Ainda está aquém do esperado. Mas era natural que passassem a conquistar vagas como vereadoras, deputados, senadoras e, agora, pelo que tudo indica, há chances reais e o Brasil eleger a primeira presidenta.

Mas se Dilma vencer as eleições, para mim, como mulher, ficará um gostinho especial de mais uma conquista do sexo frágil. Apesar de estar tão cansada das denúncias de corrupção no atual governo. Não sei se Dilma mudará este cenário de bandalheira que ocorre não só no governo atual mas em todos os outras que o antecederam. Torçamos para que esse cenário mude.

Eu me lembro bem que quando foi estabelecida uma cota mínima para lançamento de candidaturas do sexo feminino, a chiadeira foi geral. Será que não seria preconceito estabelecer cotas? Me recordo que era uma tremenda dificuldade para preencher a cota mínima e ainda é. Muitas mulheres são ótimas profissionais e preferem pensar na carreira, nos filhos, no maridão do que se preocupar e se desgastar com política.

Pois bem. Apesar dos avanços inegáveis no cenário político, numa navegada rápida pela internet descobrimos que 16 mulheres disputaram o cargo de governadora de Estado nas eleições de 3 de outubro. Dessas, apenas duas foram eleitas governadoras no primeiro turno: Roseana Sarney, reeleita no Maranhão, e Rosalba Ciarlini, no Rio Grande do Norte.

Bem, tenho ojeriza à família Sarney, mas saber que Roseana bateu cinco homens na disputa, realmente é digno de nota. Imagino como não ficaram os "cabra macho" do Nordeste ao perderem para uma mulher.

Além disso, outras duas candidatas, a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, que tenta a reeleição, e Weslian Roriz, no Distrito Federal, disputarão o segundo turno neste domingo. Segundo dados do TSE, Santa Catarina e Sergipe foram os estados com o maior número de candidatas concorrendo ao cargo de governadora no primeiro turno das eleições, com duas cada um.

Para mim, estas eleições também serão emblemáticas por causa de uma candidata. Mesmo derrotada nas urnas com 20 milhões de votos (!), Marina Silva (PV), para mim, simbolizou o político que o Brasil merece: centrada, ética, com inegáveis valores morais. E preocupada com o desenvolvimento sustentável. Ela disse na Veja que nem seu cabelo preso num coque mudou na campanha, apesar das investidas contra o estilo de cabelo fora de moda da senadora.

E imaginar que faz apenas 77 anos que as mulheres brasileiras puderam votar e ser votadas. Foi em 3 de maio de 1933, na eleição para a Assembleia Nacional Constituinte. A médica paulista Carlota Pereira de Queiroz foi a primeira mulher brasileira a exercer um cargo eletivo, o de deputada federal em 1933. Ela ficou famosa como voluntária na assistência aos feridos durante a Revolução Constitucionalista de 1932.

Para encerrar, a mulher tem muitas contribuições a dar para a política. Desde que esteja alinhada com os valores caros aos brasileiros, simbolizados na figura de Marina Silva: o respeito a família, a ética, a preocupação com o ser humano e a vontade de atender aos menos necessitados. Caso contrário, ao chegar no poder, será apenas mais uma. Torçamos para que Dilma se inspire em Marina.

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