Todo ano, o filme se repete: “as chuvas destruíram a cidade X, alagaram a Y e deixaram bairros inteiros da Z debaixo d’água.” Talvez os jornais e televisões nem precisem redigir novos textos a cada verão, é só atualizar as cidades atingidas e o volume de chuva que caiu em cada uma.
No ano passado, foram Angra dos Reis e São Luiz do Paraitinga os locais que receberam maior atenção da imprensa. Nesse ano, parece que São Pedro está mais democrático e tem distribuído chuva pelo Sudeste inteiro, com especial atenção para a região serrana fluminense. Mas a capital de São Paulo tem sempre seu destaque garantido, tamanha calamidade que sempre se instala na cidade.
O interessante é que o noticiário mostra as cenas das catástrofes como se fossem inéditas, e pior, como se não existissem culpados. No máximo, a imprensa ouve os especialistas de plantão, em geral um metereologista ou geólogo, para tentar explicar o que aconteceu.
Difícil é ver o prefeito ou o governador serem questionados pela imprensa e pela população o motivo pelo qual, mesmo com seu grupo político estando no poder por vários mandatos consecutivos, seu governo não elaborou e colocou em prática um plano de macrodrenagem, não fez o desassoreamento e a canalização de rios e córregos que sempre transbordam, não removeu a tempo famílias que vivem em áreas de risco.
Resta à população atônita assistir novamente as cenas de famílias que perderam seus parentes, casas ou móveis. Triste é saber que essas mesmas pessoas não têm ideia que os políticos que batem à sua porta na época de eleição podem fazer algo mais que simplesmente lamentar a situação e tomar medidas paliativas.
Se tivessem essa consciência, talvez tentassem mudar seu voto, na esperança que o próximo verão tenha apenas notícias tediosas da nova versão do reality show que vai estrear e não as cenas das calamidades que já nos acostumamos a assistir a cada verão.
