Há poucos dias, o filho de quatro anos de um casal querido me viu amamentando Clara, minha filha de quatro meses, e ficou pasmo com a cena. Curioso, fez muitas perguntas a respeito do processo, inclusive se eu era uma vaca para ter leite. Todos achamos graça da curiosidade inocente dele e sua mãe lhe explicou que eu tinha leite porque nós, humanos, somos mamíferos e mamamos na nossa mãe quando bebês.
A cada dia os seres humanos são menos mamíferos na forma de nascer e de serem alimentados quando acabaram de nascer. Infelizmente hoje predomina o modo mais fácil, que de forma alguma é o melhor para mãe e bebê. A mamadeira com leite artificial – seja a fórmula que for, com o nome e a bula mais inocente do mundo, ainda será leite artificial - é uma realidade cada vez mais presente na alimentação de bebês de todas as idades.
Perdem todos, pois o bebê não tem o alimento feito exclusivamente para ele, com todos os anticorpos e o amor da mãe, grátis e pronto para o consumo a qualquer hora do dia e da noite. Perde também a mãe, que se priva de momentos fundamentais para reforçar os vínculos com seu filho de vários benefícios para sua saúde.
Sobre o modo de nascer a situação brasileira é caso de polícia. A cesariana com hora marcada é o parto mais comum entre as gestantes atendidas pelos planos de saúde. Somos os campeões mundiais dessa modalidade de parto, com índices que ultrapassam 70% dos nascimentos assistidos pelos planos.
No SUS a realidade é um pouco diferente, mas as cesarianas eletivas crescem a cada ano também na rede pública. A cesariana, cirurgia de grande porte que deveria ser a exceção, virou regra.
Assim, a cada dia abrimos mão de uma parte de nossa natureza mamífera e aderimos ao tecnicismo, ficando cada dia menos humanos e animais. Infelizmente.
