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Domingo, 20 de Maio de 2012
COLUNAS | CULTURA
Em 2/5/2011 às 19:57
Cultura pra quê? Pra ter voz ativa?

"A cultura deveria fazer parte da cesta básica de todo cidadão".
Divina Bertália, advogada, vereadora em Americana-SP


Muitas vezes me questiono se vale a pena “insistir” com a cultura!  No dia a dia temos visto um desrespeito tão grande com a cultura, com quem produz e até mesmo com quem consome, que é tratado como “lord”: “você não precisa perder tempo em pensar, basta apertar o controle que já vem tudo pronto!”. Cuidado para não passar de lord a lerdo!

A cultura está se transformando em números, ou seja, não importa a qualidade e sim a quantidade.

O artista pode ser bom, mas se ele não atrai grande público, não serve. “Quantas pessoas vêm a esse show?”; ou “Esse projeto atende só 100 educadores? Diminui as horas, atende duas turmas”;  ou, “Quem fala pra 100, fala pra 200 né?”. E tem aqueles casos em que a cultura é vista só como entretenimento: “vamos fazer um show, armar o palco na praça”!  Vimos com o Americana Mostra, por exemplo, que não precisa ser assim!

Semana passada estive numa reunião na Secretaria de Estado da Cultura, em São Paulo, e foi dito que serão estabelecidos “novos critérios” para aprovação de projetos. Vai existir uma “fórmula de cálculo” na qual você divide o custo do projeto pelo número de pessoas atendidas. O valor por pessoa não pode ser superior ao que será estipulado por eles. Valerá para todos os projetos!

Um produtor de teatro logo questionou essa decisão, já que um espetáculo pode demandar um investimento maior de pesquisa, de produção e não atrair um grande público, podendo também acontecer em salas menores. Nesse caso ele faz o quê? Escolhe um espetáculo que não seja necessário investir em pesquisa oras bolas! Ou então que não demande uma grande produção Mais uma vez qualidade x quantidade. 

Entendo que seja necessário sim ter parâmetros, mas que também seja aberto o espaço para que, desde que justificado, a qualidade possa prevalecer.

Nos orçamentos federal, estadual e municipal então a cultura está lá no fim, quase não dá para enxergar. Se sobrar algo, #tamojunto! Mas se faltar verba pra outras áreas, é da cultura que vai sair também! Afinal, a partilha faz parte da cultura: você pode dar; receber, a gente vê depois!

A informação que temos é que na União, a Cultura só perde para a Pesca! É, meu povo, de fato “o mar não está pra peixe”... Nem vou entrar hoje na questão dos editais culturais, principalmente aqueles feitos por empresas, nos quais, em alguns casos, a quantidade/popularidade prevalece também! Mas nem por isso deixo de participar: acreditar sempre!

Mas aí, basta acontecer uma tragédia para que a cultura seja vista como solução. No lamentável caso da escola do Rio de Janeiro decidiram que o melhor a se fazer a partir de agora é desenvolver com os alunos diversas atividades culturais, fazendo uso da arteterapia, para que as crianças possam expressar seus sentimentos.

Intervenções artísticas, poesia, murais estão entre as ações propostas. Trabalhar a arte na escola tem que fazer parte do currículo escolar: poesia, música, artes plásticas, cinema, literatura tem que estar no cotidiano da criança, como de todo ser humano que carece de uma vida saudável. Ou melhor, “a cultura tem que fazer parte da cesta básica do cidadão”, como disse a vereadora Divina uma vez!

Investindo em cultura, com certeza, o governo vai gastar menos com saúde, segurança, penitenciárias. Isso é óbvio, mas como falou Arnaldo Jabor na CBN outro dia, “muitas vezes atrás do óbvio existe uma verdade que esquecemos”.

E outra, a arte desperta a criatividade. Até que ponto nossos governantes querem eleitores mais criativos? Acredita-se que seja mais fácil assim dominar a massa.... Conceito antigo e perigoso! Outro dia li um artigo do professor e economista político Ladislau Dowbor, em que ele dizia que “a cultura deixa de ser uma coisa que se faz, uma dimensão criativa de todas as facetas da nossa vida, e passa a ser uma coisa que se olha, sentado no sofá, publicidade de sofá incluída”.  É assustador, mas é fato, ainda!

Mas tudo pode mudar, principalmente com as redes sociais e - por que não dizer? - com os Pontos de Cultura.  E tem ainda o Vale Cultura, que está demorando pra sair... Desanimo, mas não desisto, porém “tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu... A gente quer ter voz ativa...”. Ah, essa roda viva! Se tiver um tempinho, ouça: http://youtu.be/ZKEj4mFLoBA

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