"Dificuldade por dificuldade tem em todo lugar. Você tem que vender uma alternativa, criar uma possibilidade. Venha ver o que temos para oferecer - nós não temos dinheiro, mas somos criativos, temos arte". Ruy Cezar - artsta e educador
Gosto muito de escrever quando há acontecimentos bons para comentar. Ainda estou empolgada com o belo show da Inezita Barroso, no Café Caipira, no fim de novembro, evento promovido pela prefeitura de Americana, com apoio da Suzano.
Mas o que mais tem me impressionado nos últimos meses é a força do Fábrica das Artes, que tem segurado legal a barra de termos um Teatro Municipal fechado por causa da reforma. Tive o privilégio de assistir ao espetáculo “Errantes -Título provisório”, do grupo GTT, de Americana, dentro do Programa GTT 15 anos em cena, projeto aprovado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura/Fundo de Cultura.
Depois do espetáculo houve um debate gostoso sobre a peça e ali foi possível entender que a arte provoca e não tem limites. Muitas pessoas comentando e cada uma interpretou as cenas de formas diferentes. A peça mexeu com cada um de uma maneira. Cenas que pra mim passaram despercebidas, pra outros tiveram uma importância enorme. Uma delícia ter estado no Fábrica das Artes nesse dia.
Depois tive o imenso prazer de assistir, também no Fábrica das Artes, um verdadeiro espetáculo da Cia. AMOK de Teatro, do Rio de Janeiro, com a peça “Kabul”, uma outra visão sobre a guerra. Nesse dia os atores e o diretor também se colocaram à disposição para um bate-papo com o público. Uma peça sensacional, que está percorrendo várias cidades e veio aqui para o Fábrica, com o patrocínio da Petrobras e do Ministério da Cultura.
Fui questionada outro dia sobre a falta de público no Festival Nacional de Teatro e a possível falta de interesse das pessoas pelo teatro. Pra mim esta é uma hipótese totalmente descartada, visto que o Festival tem história e, inclusive, na última edição, mesmo tendo passado dois anos sem acontecer, teve um público excelente em 2010. O público gosta de teatro sim!
O Festival de 2011 aconteceu num período diferente do que vinha acontecendo, num mês em que outros eventos já estavam agendados e com uma divulgação tímida. O que sugiro, principalmente para os organizadores do Festival de Teatro, é ver o que está dando certo e entender como vem sendo feito, buscar parcerias.
Temos visto o sucesso que é o “Roteiro de Buteco”, com uma divulgação bacana em TV, rádio, folder, adesivo de carro etc. e ainda uma atração especial de encerramento, nesta edição, Leci Brandão. Como foi possível realizar esse evento, que é sinônimo de sucesso de público, não só na final, mas também no decorrer do evento, com bares lotados? O que podemos fazer para que o Festival de Teatro também
tenha uma repercussão bacana, uma divulgação interessante, feita com antecedência para que o público seja estimulado a participar? Nessa conversa entre os organizadores podem surgir muitas ideias.
Além dos organizadores, poderia chamar também para essa discussão a Associação Comercial, já que um Festival de Teatro e tantos outros eventos trazem um público que vai também a bares e restaurantes, lojas e muitos gostam de se hospedar na cidade. Pode ser oferecido ao visitante um roteiro da cidade, com os contatos desses estabelecimentos parceiros da cultura, enfim, dá para pensar em muitas ações interessantes e que venham a fortalecer a cultura local.
O público é a razão de tudo na arte e para o artista! Vou encerrar esse artigo com uma fala do cantor e compositor Ney Matogrosso, numa entrevista que ele deu para a Rádio CBN.
"Se todos os aspectos da vida fossem filtrados pela arte, teríamos um mundo diferente... Pois a arte sensibiliza as pessoas".
Que venha 2012, com mais cultura para todos!
