Na Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento e Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo no ano de 1972, onde os temas centrais foram o controle populacional no Planeta e a necessidade de um crescimento econômico sustentável, a posição brasileira - sintetizando, aliás, o sentimento dos países do eixo terceiro-mundista -, confrontou os propósitos preservacionistas advogados pelos países industrializados, sob o argumento de que, após se enriquecerem com a destruição de suas reservas naturais, as nações ricas pretendiam a perpetuação da miséria dos povos em desenvolvimento.
No Plenário da Conferência a delegação brasileira estendeu uma faixa com os seguintes dizeres: “Bem vindos à poluição, estamos abertos a ela. O Brasil é um país que não tem restrições, temos várias cidades que receberiam de braços abertos a sua poluição, porque nós queremos empregos, dólares para o nosso desenvolvimento”.
Vivíamos então sob o regime da ditadura militar e o país estava em pleno “milagre econômico”, cujo maior símbolo era a gigantesca Rodovia Transamazônica, planejada para integrar o Norte do país com as demais regiões brasileiras. Indubitável é que, de lá para cá a questão ambiental atingiu um grau de relevância nunca antes imaginado, passando a ser um assunto comum em todos os espaços públicos.
Na atualidade, compreende-se o desenvolvimento econômico como um irmão xipófago da preservação ambiental, havendo um amplo consenso sobre a necessária revisão dos métodos de produção e consumo, como forma de amenizar os efeitos cada vez mais nocivos do aquecimento global.
Em virtude dessas considerações, causa espanto a posição do deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS), membro ruralista da comissão especial do Novo Código Florestal Brasileiro na Câmara Federal, reproduzida pela Folha de S. Paulo (Caderno Brasil, pág. A-9 – 15.10.2009 – “Ruralistas obtém comando de debate sobre Código Florestal”) no sentido de que “Os americanos, os europeus não preservaram. E agora os trouxas do Brasil precisam (preservar)?”.
Resta evidente que os setores conservadores da sociedade brasileira continuam recalcitrantes à nova ordem econômico-ambiental mundial, insistindo na citada velha máxima advogada no longínquo ano de 1972, em Estocolmo, de que a poluição é benéfica e necessária ao país.
Atualmente, o Brasil exerce uma posição relevante no cenário político-econômico mundial, diferentemente do quadro reinante no início dos anos 70. Com as boas vindas à poluição, o Brasil tornou-se um dos maiores emissores dos gases formadores do efeito estufa e se nega a cumprir as metas estabelecidas no Protocolo de Kyoto.
Resta saber qual será o posicionamento do país na Conferência do Clima em Copenhague – Dinamarca (COP 15), marcada para ocorrer entre os dias 07 e 19 de dezembro próximo. A permanecer o pensamento do citado parlamentar, não haverá como frear os impactos das mudanças climáticas.
A Região Sul, sua base política, vem sendo castigada por constantes tempestades, tufões, ciclones, enchentes e desmoronamentos que causam mortes e deixam milhares de famílias dasabrigadas. A agroindústria em muito contribuiu para o esgotamento da capacidade de suporte do meio ambiente natural no atendimento às demandas do setor. O meio ambiente já deu sua resposta às boas vindas à poluição. Se a humanidade insistir na perpetuação dos atuais métodos de produção e consumo, quem será o trouxa da vez?
