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Domingo, 20 de Maio de 2012
COLUNAS | MEIO AMBIENTE
Em 3/12/2009 às 12:25
A vida em jogo em Copenhague

Entre os dias 07 e 18 de dezembro, em Copenhague, na Dinamarca, ocorrerá a 15ª Conferência das Partes (COP-15) da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima, onde se buscará alternativas para a redução das emissões de carbono causadoras do aquecimento global. As negociações envolverão a substituição do Protocolo de Kyoto por um novo pacto que preveja novas metas aptas a impedir o atual quadro de interferência do homem no sistema climático.

O controvertido Protocolo de Kyoto, em vigor desde 16 de fevereiro de 2005, estabeleceu para os países desenvolvidos meta geral de redução de emissão de gases de efeito estufa de 5,2%, tendo como base o ano de 1990, porém, como é sabido, principalmente em decorrência da resistência dos EUA em ratificar tal compromisso pouco ou nada se avançou nesse sentido, o que gerou o agravamento das condições climáticas do planeta.

Os alertas da comunidade científica apontam que a temperatura da Terra vem aumentando na ordem de 0,74°C nas últimas décadas, e que os últimos 12 anos estão entre os mais quentes já registrados. A tendência, mantidas as condições atuais, é que o aquecimento global provoque em 2100 um aumento de temperatura na ordem de 3,4°C, provocando impactos sócio-ambientais de grande magnitude, com agravamento da atual situação de vulnerabilidade das comunidades mais pobres.

A crise financeira mundial balizará o ânimo dos países ricos e emergentes em assumir compromissos de redução de emissões, o que significa diminuir os atuais índices de crescimento. Os EUA e a China já sinalizaram publicamente contrários à desaceleração de suas economias e tendem a frustrar os propósitos da Conferência. O governo americano anunciou que levará ao evento proposta de redução de contaminantes muito aquém à desejada (17% abaixo dos níveis de 2005, até 2020). Isso é muito pouco em relação às sugestões de outras nações ricas (a Grã-Bretanha propôs redução de 34% e o Japão na ordem de 25%). A do Brasil é bastante ousada (na ordem de 38% e 40%).

A Natureza vem reagindo fortemente à interferência humana nas condições climáticas.  Dentre outras catástrofes recentes, vale lembrar que em 2005 o furacão Katrina atingiu a costa sul dos Estados Unidos com força arrasadora. No mesmo ano o furacão Rita atingiu terrivelmente os Estados do Texas, Flórida e Louisiana. Durante o Século XX o nível do mar subiu entre 20 a 30 centímetros e há previsão de que subirá 1 metro nesse novo Século. O degelamento dos trópicos, a desertificação de grandes áreas agricultáveis, a escassez da água e outros fenômenos ambientais guardam direta relação com o aquecimento global.

O abandono do Protocolo de Kyoto pode ser apontado como a causa principal do aumento do nível de insegurança ambiental global. Indubitavelmente, o desenvolvimento sustentável é o meio apropriado ao enfrentamento do perigo das mudanças climáticas, pois importa em compatibilizar o desenvolvimento econômico-social com a preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico. Quiçá em Copenhague os líderes mundiais deixem de lado a visão antropocêntrica e, em definitivo, elejam a vida como uma prioridade inderrogável.

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