Depois de um bom tempo sem escrever artigos, recebo um convite tentador do jornalista Walter Bartels para escrever sobre Cultura para um portal de notícias que oferece informação e prestação de serviço.
Não tive como recusar. Primeiro, por ser um convite do Walter; e, depois, pela oportunidade de abordar questões culturais de Americana, do Brasil e - por que não dizer - do mundo, já que com a Internet sabemos de tudo em tempo real, basta estar conectado.
Neste primeiro artigo faço um balanço cultural de 2009. Podemos dizer que foi um ano difícil para produtores e artistas, já que a tal “crise” também abalou nosso setor. Em setembro estive em São Paulo com a produtora de um conceituado músico e ela comentou que estava aflita, pois cinco shows já tinham sido cancelados por conta de projetos e eventos suspensos. E olha que o cara é famoso! Imagine então pra aqueles que não têm a fama como apoio como foi difícil!
Fiquei triste ao ouvir isso, pois sabemos que não é nada fácil “fazer arte”. Um projeto não nasce do dia pra noite. Costumo dizer que é como um filho, que tem todo aquele período de gestação e quando colocamos no mundo queremos que ele sobreviva, cresça, seja bom e tenha sucesso.
Muitos projetos foram “abortados”, pois repentinamente o Governo do Estado decidiu suspender o ProAC/ICMS (Programa de Ação Cultural), que permite que projetos sejam incentivados por meio do ICMS a pagar. Projetos já aprovados, com patrocinadores definidos, deixaram de receber recursos, pois houve queda na arrecadação do ICMS e o programa teve que ser suspenso.
Segundo a Secretaria de Estado da Cultura, o teto estipulado para 2009 foi atingido e não tinha como conseguir mais recursos para investimentos no ano. Foi uma loucura e também um momento de muita tristeza, pois vimos artistas e produtores abandonando “seus filhos”. Pelo menos um aviso prévio deveria ter sido dado de que o teto estava chegando no limite e que a qualquer momento o programa poderia ser suspenso; mas, não, preferiram pegar “a todos” de surpresa.
Já o Ministério da Cultura passou o ano todo discutindo as mudanças na Lei Rouanet, que permite a dedução no Imposto de Renda do valor investido em projetos culturais. Esse é um assunto que abordaremos em breve, pois é muito abrangente e também polêmico. Mas, ainda sim, o Ministério da Cultura caminhou, com ações que renderam o Vale-Cultura (o trabalhador terá até R$ 50,00, por mês, para serem utilizados no consumo de bens culturais) e a aprovação do Simples da Cultura (tributação menor para pequenas empresas do setor cultural). E ainda destaco a parceria do Ministério da Cultura com o governo estadual para implantação de 300 Pontos de Cultura em municípios do Estado de São Paulo, sendo dois deles em Americana (ONG Paulo Freire e SESPA).
Em Americana, vimos um Conselho de Cultura atuante, mas que passou parte do tempo discutindo o que fazer com um Portal entregue nos últimos dias da gestão anterior e que ninguém quis inaugurar. A população foi ouvida, só agora, para opinar sobre “o que fazer”? A maioria quer que seja modificado, mas e agora? Tem recurso? Ou este recurso deveria ser empregado em projetos de artistas locais sedentos para expor sua arte? Decisão difícil....
E mais um ano, agora no governo De Nadai, na busca por recursos de empresas para investimento no Casarão do Salto Grande. Felizmente, no início de 2009 as obras de troca do telhado foram concluídas, com apoio do CONPACEL, o que impediu que com estas chuvas algumas paredes desabassem. Aplausos para o CONPACEL, que soube enxergar a importância deste patrimônio para nossa cidade, principalmente.
E deixo por último uma das conquistas mais bonitas para Americana em 2009. A Associação Arte de Vencer, com o projeto Tambor Menino, formado por crianças e jovens do Jardim dos Lírios e região, recebeu o prêmio Itaú-Unicef como melhor projeto do interior do Estado de São Paulo na categoria projeto de microporte.
De uma forma simples, independente, a Associação vem conquistando seu espaço. A ONG é o primeiro Ponto de Cultura de Americana e também um Ponto de Leitura. Parabéns aos colaboradores, patrocinadores e ao CIEP da Cidade Jardim pela conquista e também pela garra de terem continuado mesmo perdendo a líder, a presidente da ONG, Silvia Barros, que faleceu em agosto de 2009 durante o processo de seleção para o Prêmio.
Enfim, se colocarmos 2009 na balança, acredito que veremos um equilíbrio. Não foi um ano tão bom, mas também não foi tão ruim. E que venha 2010, um ano eleitoral e de Copa do Mundo, com muita cultura e arte para todos!
