No segmento cultural, começamos 2010 com uma notícia muito triste que foi a destruição, pelas chuvas, da cidade de São Luís do Paraitinga, no Vale do Paraíba, em São Paulo. Quem conhece a cidade e todo aquele patrimônio chora e quem não conhece lamenta por ter perdido esta oportunidade. Toda uma história agora em ruínas.
Triste, mas ao mesmo tempo me encanta ver o empenho e a motivação dos moradores em reconstruir a cidade. Essa vontade contagiou muita gente que tem ido a São Luís para ajudar, principalmente jovens. Outro dia, na rádio CBN, ouvi um jovem dizendo que deixou de ir à praia, com os amigos, pra ajudar na reconstrução da cidade que ele tanto usufruiu como turista. A prefeita de São Luís pediu para as pessoas se informarem sobre como ajudar antes de ir até lá, pois a cidade está com muita gente, o que pode até prejudicar o trabalho de reconstrução.
Essa semana o Ministério da Cultura divulgou que irá liberar R$ 10 milhões para a restauração e reconstrução de São Luís do Paraitinga. Técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) já estão na cidade fazendo as avaliações do que pode e deve ser restaurado, além de tentar resgatar peças e equipamentos preciosos que ajudarão neste trabalho de reconstrução.
De acordo com o Ministério da Cultura, o modelo de trabalho para reconstruir São Luís do Paraitinga deverá ser o mesmo utilizado na cidade de Goiás Velho, inundada pelas águas em 31 de dezembro de 2001. O município foi totalmente recuperado por técnicos do Iphan e, dois anos após a tragédia, recebeu o Centro Histórico com os monumentos restaurados e reconstruídos.
O ministro interino da Cultura, Alfredo Manevy, também divulgou em São Luís do Paraitinga que será agilizado o processo de tombamento, que tramitava no Ministério da Cultura antes desta tragédia, para que a região seja reconhecida como patrimônio nacional.
Aquela história do “precisa perder para dar valor” parece que cabe muito bem nesse caso e em muitos outros ligados à preservação do patrimônio histórico.
Na semana passada, num bar aqui em Americana, amigos também procuravam um jeito de ajudar a cidade de São Luís. Quem dera tivéssemos todo este empenho para tentar recuperar nosso Casarão do Salto Grande.
Com tanta chuva, talvez, também poderíamos estar lamentando nosso Casarão em ruínas, mas, felizmente, recentemente, graças ao apoio do Conpacel, foram feitas obras emergenciais no prédio para conter as infiltrações, com a troca do telhado e dos beirais. Lembro perfeitamente da visita que os diretores do Conpacel, Paulo Bassetti e Gil Pereira, fizeram ao Casarão. F
Ficaram encantados com o prédio e mais ainda com toda a história que ele carrega. Fizeram muitas perguntas para a diretora do Museu, em mais de uma hora de visita e, logo em seguida, anunciaram que investiriam no projeto de restauro para que a população pudesse ter acesso ao patrimônio e a toda essa riqueza histórica.
Muitos ainda desconhecem a história do Casarão e - o mais triste - tem gente que desconhece a sua existência por estar tanto tempo fechado. Eu tive o privilégio de visitar o Casarão quando ainda mantinha exposto o acervo e aquela “cobra gigante”, lembram???
O Museu Histórico Pedagógico “Dr. João da Silva Carrão”, conhecido como Casarão do Salto Grande, é um patrimônio valioso, erguido em taipa-de-pilão no início do século XIX, e que reúne partes da história de Americana, da região, do estado e do país. Em estilo colonial mineiro, é a única construção com quase duzentos anos em toda a nossa região, sendo considerado um dos edifícios em taipa mais antigos do Estado de São Paulo.
Cabe destacar também a existência, em um dos cômodos, no mezanino superior, do forro de Urupemas, tão raro de ser encontrado. Podemos dizer que o “Casarão do Salto Grande” é um importante exemplar arquitetônico do período canavieiro, já que foi sede de um grande engenho de açúcar. Ele está instalado na sede da antiga Fazenda Salto Grande, que fica na confluência dos rios Atibaia e Jaguari, nascente do tão famoso Rio Piracicaba.
Tombado pelo CONDEPHAAT, em 1982, o prédio abriga um acervo diversificado, formado por fotografias, mapas, objetos, máquinas e mobiliário, e busca contar um pouco da história da consolidação da cidade e de seu povo. Neste acervo encontramos também peças da Revolução de 1932 e da 2ª Guerra Mundial.
Desejo que a população e, principalmente, empresários e o poder público enxerguem a importância deste patrimônio, para evitar que ele também se transforme em ruínas.
