Dias desses estava eu caminhando com um amigo por uma movimentada avenida local quando fomos surpreendidos por gases tóxicos provenientes de uma tecelagem. É tal velho custo do progresso. Fomos perguntar ao porteiro se tinha conhecimento do lançamento daquela poluição - seria impensável atrapalharmos o expediente de sua excelência o diretor-presidente. O funcionário, com um sorriso amarelo, explicou brevemente que a poluição provinha de uma caldeira a óleo.
Uma atividade poluidora atingindo a qualidade de vida das pessoas em plena luz do dia! Todos passam e parece não se incomodar. As interferências humanas sobre o meio ambiente tornaram-se lugar comum nos noticiários dos jornais, televisão e a mídia em geral já vêm noticiando no dia-a-dia.
A Reunião do Clima em Copenhague foi desastrosa para o meio ambiente, pois, num mundo em crise, era mesmo de se esperar que as principais potências mundiais mantivessem o receio de desacelerar suas economias.
Reina certo sentimento de impotência geral, na medida em que nos tornamos reféns da poluição, esse mal encobre o Planeta e com o qual, infelizmente, estamos sendo forçados a conviver. Na Capital Paulista o número de mortes causadas pela poluição supera em muito os índices referentes às causadas por acidentes de trânsito, homicídios e outras tragédias.
Mas, afinal, o que se compreende por poluição? A Lei Federal n. 6.938, de 31 de agosto de 1981, que estabeleceu a Política Nacional do Meio Ambiente, em seu artigo 3°, inciso III, a define como a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos.
Em suma, é a degradação da qualidade ambiental que atinge a vida em todas as suas formas. O direito à sadia vida pressupõe a conservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado. Mas isso, impunemente, nos vem sendo negado pela economia globalizada.
Gonzaguinha, na música Você Merece , deixou estampado seu inconformismo com a passividade do brasileiro diante de certas tragédias que cercam nosso cotidiano, de onde destaco o seguinte trechinho: Você merece, você merece. Tudo vai bem, tudo legal. Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé se acabarem com o teu Carnaval? Você merece, você merece. Tudo vai bem, tudo legal.
