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Terça, 22 de Maio de 2012
NOTÍCIAS | ENTREVISTA
Em 27/12/2011 às 23:50
Heins: adversários queriam manter cidade na escravidão
Disse que a cidade era governada por coroneis que mantinham a população debaixo de seus chicotes
Jairo Guilherme Silva/Arquivo
Heins: o tempo se encarregou de mostrar à população de Santa Bárbara que os adversários políticos queriam manter a cidade na escravidão que sempre viveu

O prefeito de Santa Bárbara d´Oeste, Mário Celso Heins (PDT), afirmou no Jornal da Notícia de ontem que 2011 foi um ano muito interessante. Para o chefe do Executivo, foi um ano de vitória, que se caracterizou por uma oposição política ferrenha ao seu governo. Disse que a oposição queria manter a cidade na "escravidão". E que seu governo quer quebrar as barreiras que impediam o desenvolvimento econômico e social.

Afirmou que mexeu nos pontos críticos da cidade, como a questão do desenvolvimento econômico; a reformulação do modelo educacional; e a modernização da máquina pública. Estes, alega, eram alguns pontos que se arrastavam há 40 anos sem nenhuma solução. Ao entrar na prefeitura, mexeu nesses pontos considerados nevrálgicos por ele.

"Com certeza a oposição se arrepiou na medida em que começou a assistir o sucesso dessas ações. Infelizmente, para a oposição, eles perderam. Perderam porque desenvolveram uma campanha caluniosa jamais vista na nossa região. Inventaram do nada situações assim absurdas e tudo isso caiu por terra porque a própria Bíblia diz o seguinte: ´O tempo é o senhor da verdade´. Eu sabia que o tempo se encarregaria de mostrar à população de Santa Bárbara que os adversários políticos, na realidade, queriam manter a cidade na escravidão que sempre viveu. Uma cidade que foi o berço da indústria metalmecânica no País, o berço da indústria têxtil no País nos idos tempos em que os americanos chegaram trazendo o algodão que deu origem à indústria têxtil. E essa cidade se mantinha como uma das cidades que tinha menor arrecadação da Região Metropolitana de Campinas".

Traçou uma comparação com Americana, uma cidade que começou como uma vila de Santa Bárbara, que explodiu economicamente e se tornou punjante. "E Santa Bárbara continuava lá com aqueles coroneis que governavam debaixo do chicote deles, debaixo da chibata deles, mantendo a cidade no subdesenvolvimento, mantendo os trabalhadores com os menores pisos salariais da região. E tudo isso vem se revertendo durante o nosso governo".

DESENVOLVIMENTO


Desde o início do seu governo, Heins menciona a preocupação com o desenvolvimento sustentável. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), menciona o pedetista, publicou que a cidade conquistou 1,1 mil empresas. A primeira situação concreta que pontuou foi a questão da geração de empregos e de novos postos de trabalho numa cidade que chegou a ter índice de 17% de desemprego em relação a PEA (População Economicamente Ativa). Mas este percentual caiu para 2,7%, o menor índice de desemprego da Região do Polo Têxtil, formada ainda por Americana, Nova Odessa, Sumaré e Hortolândia.

Segundo a Organização Mundial do Trabalho e o Ministério do Trabalho e Emprego e as organizações que estudam o índice de empregabilidade numa região, Santa Bárbara hoje é considerada com uma empregabilidade plena, ou seja, que não há desemprego, explica Heins. Abaixo de desse patamar de 3% é impossível colocar todos os trabalhadores no mercado de trabalho, por uma série de fatores.

Portanto, enumera Heins, o primeiro grande avanço é o social. Tem empregabilidade plena na cidade. Tanto que o trabalhador encontra de 500 a 600 vagas por dia na Casa do Trabalhador. Esta foi a meta primordial, cita.

ICMS

O reflexo da empregabilidade plena e da instalação das empresas demora um pouco mais para elevar o valor do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), o carro chefe da cidade. O aumento da arrecadação poderá ser observado depois de três anos da instalação das empresas. No primeiro ano arrecada e no outro outro ano o governo do Estado calcula o índice de participação do município no bolo da receita do Estado. No terceiro ano é que a cidade passa a receber este retorno.

Mas, alega Heins, a arrecadação deve subir. Trabalha com a possibilidade de uma arrecadação de R$ 260 a R$ 270 milhões em 2012. A cidade em 2009, ano de crise, teve queda na arrecadação, que caiu para quase R$ 200 milhões. Aposta que em três anos a cidade terá uma condição econômica boa, podendo começar a investir pesado nas áreas sociais e de infraestrutura urbana.

Na questão da arrecadação, o atual governo prepara a cidade para o futuro. A receita sobe aos poucos. Mas na questão da educação, da geração de emprego, já é realidade no presente. Foram implantados seis CIEPs - dois ativados neste ano -  com funcionamento pleno e aumentadas mil vagas nas creches. A instalação dos CIEPs significou a contratação de mais 200 professores, sem considerar os funcionários de apoio. E terminará 2012 com dez CIEPs, o que depende do aumento da arrecadação ano que vem. A parte social não pode esperar, explica.

LOTEAMENTOS

Na década de 70, a cidade sofreu com a abertura de loteamentos sem a execução de infraestrutura básica e benfeitorias. Heins disse que ao assumir a prefeitura com baixa arrecadação e desemprego, não aprovou nenhuma loteamento residencial. Aprovou um loteamento às margens da Avenida Santa Bárbara seguindo as diretrizes do plano diretor, para transformar o trecho num corredor de comércio e serviços. Nesta área, 30% da gleba será destinada a construção de residências. Esse loteamento abrigará o novo shopping, o VIC Center.

Disse que não aprovou os novos loteamentos residenciais porque a cidade não teria arrecadação para receber os novos moradores. Por essa razão priorizou os loteamentos industruais. Economicamente são mais viáveis. lote Além disso, justifica, loteamentos ficam parados, com dificuldades de comercialização dos lotes, o que gera taxa de ocupação baixa e problemas para a administração, porque os lotes vagos causam problemas na segurança pública.

Está aprovando loteamentos para expansão econômica porque ainda há pessoas que moram em Santa Bárbara e trabalham nas cidades vizinhas, o que gera um custo social grande para a cidade e arrecadação baixa. Quer reverter esse quadro para oferecer serviços públicos de melhor qualidade à população. "É uma questão de estabelecer um planejamento socioeconômico da cidade". E assim garantir a sustentabilidade ambiental, dos recursos hídricos e do orçamento.

SAÚDE

Como foi secretário de Saúde da cidade, sabe quais os gargalhos do setor. O prefeito disse que a saúde melhorou muito, conquistou recursos estaduais e federais e vai duplicar a área de atendimento da atenção primária. Construirá postos de saúde nas áreas onde não haviam. Na Zona Leste há postos que estão superlotados. Por isso o serviço será descentralizado, com a construção da unidade do Planalto do Sol, para melhorar a qualidade do atendimento.

A unidade do São Fernando foi ampliada e implantada a Estratégia de Saúde da Família no local, abrangendo parte do Pérola e Cidade Nova.  A unidade do Cruzeiro do Sul foi ampliada e será ganhará a ESF. Terminará o governo com quase 20 unidades de saúde, quase o dobro do início do seu mandato. E as unidades que são acanhadas serão ampliadas, para expandir o espaço físico. Também vai ampliar o posto do 31 de Março e construir um posto no São Joaquim e na região antiga da cidade.

RELACIONAMENTO

Apesar de ser do PDT, o relacionamento com os governos estadual e federal é o melhor possível, na avaliação de Heins. Acredita que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) tem seu senso de responsabilidade e que tem projeto político futuro e, por isso, não pode governar com olhos no partido, mas para a população. Acredita que o governador tem tido uma posição independente de partido. O governo federal tem tido a mesma posição republicana e mostrado nova conduta, sem olhar o partido.

"Eu acho que essa é uma atitude moderna para qualquer governante". Heins disse que age da mesma forma na cidade, não governa para pessoas que são do seu partido, mas a população. Santa Bárbara recebeu verbas vultuosas do governo federal, como R$ 57 milhões na gestão passada, para saneamento básico. Na atual gestão conquistou R$ 46 milhões na fase um do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento) do governo Federal e outros milhões a ser confirmados na fase dois do PAC.

Recentemente, o governador anunciou investimentos para a RMC. Santa Bárbara foi contemplada com R$ 33 milhões em obras. Por isso afirma que o relacionamento independe de partido, mas visa benefício à população.

Parabenizou a atitude da presidente Dilma Rousseff (PT) e do governador pelo combate à miséria no País. Relembrou que o presidente Lula atuou para que 37 milhões de pessoas migrassem da situação de pobreza para a classe média durante seus mandatos. E retirou 27 milhões da pobreza absoluta. Ainda incluiu 700 mil universatários através do Prouni em faculdades particulares. Mas ainda há 13% de miséria no país, de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. A Região Sudeste tem o menor índice, de 3%. Mas são 16 milhões de pessoas que vivem na miséria. Então há muito que se fazer para tirar essas pessoas dessa situação, comenta o mandatário.

E a presidente de maneira inteligente, supratidária e moderna se juntou ao governador e somaram forças para desenvolver aestratégia mais rápida para combater a pobreza, porque a miséria não pode esperar, avaliou Heins. A política brasileira evoluiu até com a visão de governar de maneira suprapartidária, acredita o pedetista.

ENTREVISTADO
Mário Celso Heins | Está no seu primeiro mandato como prefeito de Santa Bárbara d´Oeste. É cirurgião plástico.
ENTREVISTADOR
Walter Bartels | Nascido em Americana, em 07 de maio de 1949, é diretor de Jornalismo da Rádio Notícia de Americana. É jornalista há mais de 30 anos.

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