A eleição municipal do ano que vem está batendo às portas e a certeza do prefeito de Nova Odessa, Manoel Samartin (PDT), é que o partido terá candidato próprio a prefeito. "Vamos apresentar projeto porque nós temos projeto, temos a experiência para uma equipe boa para trabalhar por Nova Odessa". Samartin não mencionou nomes, mas os comentários são que ajudará a eleger o médido José Lourenço. A seguir um resumo da entrevista concedida a Walter Bartels, no Jornal da Notícia de ontem.
E contou uma história curiosa. A filha de Samartin é formada em Propaganda e Marketing e lhe disse que o povo queria mudança na eleição passada. "Na eleição passada ela falou pra mim que o pessoal estava com vontade de trocar, sabe? E falou: - Pai, o senhor é igual uma televisão velha. Tem boa imagem, pega qualquer canal, tudo bem, mas o pessoal está querendover se arruma uma LCD. Você vai precisar trabalhar bastante para ganhar a eleição porque às vezes o pessoal quer trocar e não sabe nem porque". Isso foi em 2008. A filha dele disse que enfrentaria dificuldade maior por causa do desgaste natural de quem está tanto tempo no poder. Mas se reelegeu. E agora não será mais candidato.
METAS
A população de Nova Odessa em 2012 poderá usufruir de uma arrecadação maior. E ganhará novos equipamentos como a inauguração da UBS do Jardim Alvorada, que fará atendimento de 12 horas. E gostaria de entregar mais uma escola em período integral. "Estou vendo agora, 17 anos como prefeito, eu vi que o sonho de qualquer prefeito deveria ser ter todas as escolas municipais em período integral. A escola no Residencial Klavin funciona em período integral. Tanto que a implantação da escola do SESI (Serviço Social da Indústria) foi uma grande conquista para a cidade.
E a outra meta é acabar com a demanda de creches. Está construindo duas creches grandes - uma no Santa Rita e uma no Marajoara. Hoje tem demanda reprimida. Vai deixar de comprar vagas de entidades para assumir a administração das unidades e das ADIs (Auxiliares de Desenvolvimento Infantil). Acredita que poderá acontecer nas creches o que se verifica na educação infantil: há vagas sobrando.
"Uma das coisas que não vai dar para a gente realizar, esse meu sonho, é toda criança ter direito à creche, independente da mãe trabalhar ou não trabalhar. Esse negócio de pedir a carteira da mãe para a criança ficar na escola é um negócio que deveria acabar e a gente está lutando para isso, porque a creche tem que ser um direito da criança e não da mãe que trabalha com a carteira assinada".
CRESCIMENTO
2011 foi um bom ano para Nova Odessa. Muitas empresas se instalaram na cidade. A preseitura está com as finanças em dia. E o pedetista fechará o ano de 2011 com disponibilidade financeira, ao contrário do ano passado. "Para a Prefeitura foi um bom ano e acredito que para a população também, por causa de empregos, mais empregos, mais pessoas trabalhando na mesma família. Um momento muito bom na renda familiar. E ai acelera o comércio e tudo. Nova Odessa teve um progresso considerável em 2011", considerou.
Não acredita que 2012 seguirá o mesmo índice de crescimento que teve de 2010 para 2011. Acredita que vai ser um período de acomodação. "A impressão que dá assim é como se fosse um avião subindo, ele deve atingir (uma determinada altitude) assim e ficar meio nivelado.
Consolidar as conquistas de 2012, mas com crescimento já bem menor". As empresas que estão se instalando na cidade e começando a formar seu quadro de trabalho será continuidade do progresso. Será um ano mais difícil por causa das crises na Europa e nos Estados Unidos e o desenvolvimento será sacrificado.
EMPREGO
Para se ter uma noção, a cidade passa por uma fase de pleno emprego. Samartin comentou que ultimamente é muito raro receber pedidos de emprego, ao contrário de outras épocas. Mas tem empresário de Nova Odessa que está com máquinas paradas porque não encontra nem pessoas sem experiência anterior para operar os equipamentos, tal a escassez de mão de obra. Agora quem procura Samartin são os empresários à procura de funcionários. Isso acontece na região. Demonstra que está a pleno emprego neste momento.
Hoje em dia o que os empresários observam para se instalar nas cidades é a questão social e ambiental, disse Samartin. Tanto que a prefeitura construiu a ETE (Estação de Tratamento de Esgoto), avaliada em R$ 23 milhões, depois do Córrego Recanto. Tratará 100% do esgoto doméstico com tecnologia moderna. Nova Odessa será uma cidade que estará quite com a questão ambiental, reforçou. O Ribeirão Quilombo não receberá mais a carga orgânica. Americana será beneficiada com esta obra, pois ficava abaixo da cidade. A ETE é a maior obra da história da cidade, avalia o chefe do Executivo. Lá atrás resolveu o progblema de abastecimento de água, agora está resolvendo o problema do tratamento do esgoto jogado no Quilombo, valorizou.
TRATAMENTO
Questionado por Bartels sobre o tratamento recebido do governo estadual e federal, Samartin respondeu que estranhou bastante nos dois últimos mandatos, porque se os municípios têm projetos e os apresentam com fundamento à União acaba saindo os recursos, como ocorreu com Americana, Sumaré e Hortolândia, além de Nova Odessa, independente de partido. Como está no quarto mandato como prefeito, se recorda que, no passado, não conseguia recursos do governo federal, porque tinha seu orçamento e executava as obras sem ajudar os municípios, como agora.
O governo estadual, também dentro de suas possibilidades, que são bem menores do que o governo federal, tem liberado recursos. Foi bem atendido. Disse que Nova Odessa tem 50 mil habitantes e, é lógico, que uma cidade com 200 mil habitantes tem que receber quatro vezes mais verbas. Além de outras cidades terem mais necessidades do que Nova Odessa, que já tem uma boa estrutura.
E confessa que gostaria de ver a conclusão de pelo menos duas obras custeadas pelo governo do Estado. Uma delas é a duplicação da estrada de ligação da Rodovia Anhanguera até o Centro da cidade. Essa obra custará R$ 16,5 milhões. Agradeceu todos os deputados pelo empenho para concretizar a obra. Também quer entregar o recapeamento da Rodovia Astrônomo Jean Nicolini, entre Nova Odessa e Americana.
ORÇAMENTO
Ano que vem, o orçamento da cidade será de R$ 140 milhões. No encerramento do ano, Samartin constatou que vai arrecadar neste ano até R$ 103 milhões. "Nós fomos a única cidade da região em que a nossa cota parte do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) cresceu 17% para o ano que vem. Nas demais cidades da região, uma encolheu 1% e a outra 2%. A cota parte que eu quero dizer é o índice. E nós crescemos 17%. A nossa foi 17% e outros impostos e nós vamos chegar praticamente a 140 milhões de reais no próximo ano".
PENDURAR A CHUTEIRA
Como antecipou ao repórter Jairo Guilherme Silva, no Jornal da Notícia, Samartin reafirmou que ano que vem será o seu último ano como prefeito. Depois pendurará as chuteiras. Completa 17 anos como prefeito - um dos mandatos foi de seis anos. No final do ano que vem quer se despedir deste mandato e da carreira política. Não retorna como candidato a prefeito. É uma atividade, conta, que exige destreza, viagens e recursos. Tem que ficar bastante atento. Acredita que seja uma atividade que exige pessoas mais novas.
Com 29 anos, Samartin foi vice-prefeito de Simão Welsh em 1972. Aos 33 anos, em 1976, assumiu seu primeiro mandato de chefe do Executivo. Samartin atingirá a mesma marca de Welsh que administrou a prefeitura por 18 anos. Completará ano que vem 40 anos na vida pública. Foram muitas conquistas. Uma delas foi o abastecimento de água, construção de escolas e investimento de 30% na saúde. Como qualquer cidade, Nova Odessa também tem problemas, reconhece o pedetista.
Nesses 40 anos de vida pública, foram muitos os desafios. No primeiro mandato, os maior obstáculo foi o abastecimento de água. "É terrível o prefeito trabalhar tendo falta d´água no município. Sai e o pessoal reclama da falta d´água. Então nós fizemos aquelas represas no Córrego do Recanto e no Córrego do Lopes. Então resolvemos o problema de abastecimento de água".
Diante da arrecadação baixa da cidade, começou a investir na atração de empresas. Sem contar toda a polêmica da instalação dos pedágios municipais construídos nos limites com Americana e a Rodovia Anhanguera. O problema era o contrato feito entre o prefeito Simão Welsh e a concessionária para evitar a rota de fuga de pedágio. Mas as praças foram desativadas. Foi mais um problema superado.
DECEPÇÃO
Se foram muitas as conquistas e vitórias, não foram menores as decepções. Samartin não é diferente de nenhum político. Dias atrás foi inaugurar a nova iluminação e os vestiários do campo novo do Jardim Progresso, com a presença da equipe master do Corinthians, e recebeu uma vaia orquestrada pelo público. Num jogo anterior impediu que candidatos entregassem troféus. E nesse dia recebeu o troco organizado. Ficou decepcionado, porque disse que inaugurou uma obra importante. Sofreu também com decisão judicial que determinou a volta de funcionários à Coden que haviam sido cedidos à prefeitura. Tem outras decepções que ocorreram lá trás que até esqueceu."Mas é assim mesmo. Está na chuva para se molhar".
EMPRESÁRIO
Reconhecido como um empresário de sucesso, Samartin disse que este ano foi bom em quase todos os setores. Proprietário de uma indústria de embalagens, conhece a maioria dos setores, por isso sua afirmação. O único setor que sofreu foi o setor têxtil por causa da concorrência com as mercadorias importadas dos países asiáticos. Não vê como o governo federal vai resolver a situação do segmento com barreiras para conter essa invasão principalmente de produtos confeccionados que demandam muita mão de obra. Em contrapartida, o Brasil exporta muita soja para a China. Por isso disse que o governo brasileiro é muito reticente em proteger o setor têxtil porque os chineses podem taxar a soja e desequilibrar a balança comercial nacional.
Resumindo: acredita que com criatividade o setor têxtil pode se manter e garantir um 2012 melhor do que 2011. O mercado brasileiro é muito grande e acredita que a indústria têxtil pegará os nichos de mercado mais apropriados e não explorados pela indústria asiática. Essa é a saída.
ESFRIADA
Os economistas dizem que o termômetro da economia é a indústria de embalagens por sentir os primeiros reflexos do aquecimento ou do resfriamento da economia, como bem lembrou Bartels. Samartin confirma: a indústria de embalagem percebe, mais rapidamente, qualquer reação do mercado. "É quase como uma febre. Você não sabe o que a pessoa tem, mas acusou febre".
O que percebeu foi o desaquecimento no último trimestre do ano. Em anos anteriores isso também aconteceu, mas depois o mercado se recuperou.
