Walter Bartels - Portal de Notícias
Terça, 22 de Maio de 2012
NOTÍCIAS | ENTREVISTA
Em 30/12/2011 às 20:08
Mentor define as cinco linhas mestras de sua candidatura a prefeito
E também fez dois pedidos ao prefeito Diego de Nadai no programa radiofônico de hoje
Divulgação/Câmara de Americana/Arquivo
Mentor pede a Diego para agilizar processo para construção do Banco do Brasil no Zanaga e doação de área para INSS

2012 será um ano par, de eleições. Haverá uma movimentação política intensa. Em Americana já há um ambiente colocado para disputa eleitoral. Pelo menos esta é a impressão do deputado estadual Antonio Mentor (PT), que se referiu ao clima eleitoral que se se instalou no município antecipadamente. A tendência, disse Mentor, é que sejam lançadas três candidaturas a prefeito em 2012: Mentor, pelo PT; Diego De Nadai, pelo PSDB, e Omar Najar, pelo PMDB. Podem entrar na disputa outros candidatos, com novas propostas, um novo projeto. Mas o petista disse no Jornal da Notícia de hoje, apresentado por Walter Bartels, que deve discutir as propostas não do ponto pessoal, mas programaticamente, sobre as propostas para Americana. E já definiu as cinco áreas de atuação.

PRIORIDADES


Mentor entende que uma administração municipal deve atacar fundamentalmente a saúde, educação, habitação, zeladoria e infraestrutura, que considera fundamentais para o bem-estar da comunidade. No momento oportuno detalhará essas questões. Essa é a opinião dele. Disse que vai investir em iluminação de avenidas, embelezamento de praças, como o atual mandatário da cidade, mas numa sequência posterior. Antes antederá as cinco reivindicações fundamentais para o bem-estar da cidade.

CIVILIZADO


Como não poderia deixar de fazer, o parlamentar analisou o clima de hostilidade entre os dois grupos políticos da cidade - o de oposição e o do atual comandante da prefeitura. "Em que pese alguns que estão tentando transformar a minha relação com o prefeito Diego De Nadai numa questão pessoal, numa briga política, eu quero dizer aqui, em alto e bom som, que não existe absolutamente nada entre este deputado e o prefeito Diego De Nadai do ponto de vista das nossas relações pessoais. Eu o trato com respeito, eu tenho por ele consideração, e nada vai fazer mudar a minha conduta educada, civilizada e respeitosa na minha relação com o prefeito da cidade de Americana. Por mais que alguns dos seus secretários venham a público para tentar me ofender, me agredir, nada disso vai me fazer mudar a minha conduta". Este foi o recado que deixou pelas ondas do rádio.

E explica as razões para tal antagonismo. "A minha diferença com o prefeito Diego De Nadai é uma diferença programática. Eu não concordo com as suas prioridades. Não concordo com a forma como ele está gerindo os recursos da cidade de Americana. Essa é a diferença. E eu não vejo nenhum problema nisso. Eu tenho a obrigação de analisar, de expor a minha opinião como deputado da cidade que tem vínculos aqui com Americana. Eu tenho obrigação de fazer. Eu não posso concordar, Walter, com a antecipação da receita dos próximos anos do Departamento de Água de Americana. Isso vai provocar um rombo nas finanças do município e eu não posso concordar. Eu não posso concordar com a prioridade que o prefeito adotou embelezando algumas áreas da cidade, praças e avenidas enquanto que crianças estão precisando de atendimento médico no Hospital André Luiz e idosos estão esperando em macas no Hospital Waldemar Tebaldi. Eu não posso concordar com isso".

Deixou bem claro que emite suas opiniões para alertar a administração e o prefeito para situações que a cidade está vivendo. Faz isso em respeito aos compromissos que tem com a cidade e de maneira respeitosa ao prefeito, garantiu. "Não quero, com isso, ofendê-lo, não quero com isso agredi-lo, de jeito nenhum. Estou tentando, ao contrário, colaborar com a administração da cidde de Americana para que esse alerta possa servir".

Mas faz críticas. Disse que não adianta nada ter uma avenida bonita na cidade enquanto o resto do município está esburacado. Disse que não adianta nada gastar milhões numa única obra se o restante da cidade clama por zeladoria. É essa sua opinião.

APELO

Ao demonstrar sua atitude republicana, Mentor informou que emitiu uma mensagem carinhosa ao prefeito por celular para desejar um Feliz Ano Novo a ele. E, pelos microfones do Jornal da Notícia fez dois pedidos ao prefeito. Pediu a Diego para autorizar imediatamente a construção da sede do Banco do Brasil no Bairro Antonio Zanaga. Foi solicitada a construção na administração municipal e depende apenas da autorização do prefeito para o bairro ter sua agência no prazo de 90 a 180 dias.

Outro pedido foi a doação de uma área para contrução do prédio do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Mentor conseguiu uma verba para construção do novo prédio do instituto em Americana, uma obra necessária, que atenderá aposentados, pensionistas, trabalhadores com problemas de saúde que passam por perícia médica. Mentor comentou que Americana já fez tantas doações para entidades e empresas atendidas com ruas para melhorar a produção e poderia fazer mais essa doação. "Esqueça que é do Mentor. Deixa. É do povo de Americana. é do interesse público de Americana. Faça isso prefeito. Eu penso que será uma atitude de grandeza da sua sua parte atender essas duas emandas encaminhadas por nós".

PEDÁGIOS

Ao voltar os olhos para os assuntos da Assembleia, Mentor falolu sobre umas das bandeiras dele: o preço elevado do pedágio. E essa bandeira ecoou no Palácio dos Bandeirantes. Não é de hoje que o deputado defende que a cobrança da tarifa seja por quilômetro percorrido.

Hoje as pessoas pagam o mesmo valor independente da quilometragem que usam da rodovia. Acredita que isso vai permitir, de forma generalizada, o aumento da base pagadora que precisa refletir no valor do quilômetro rodado.

São cobrados R$ 0,17 por Km rodado nas rodovias paulistas e, com essa alteração, haverá redução nesse valor. Isso beneficipária todos que utilizam a rodovia, apesar de alguma forma penalizar aqueles que não pagam tarifa. Hoje, quem vai de Sumaré até Campinas não paga pedágio. Quem sai de Campinas até Valinhos, também não paga, mas usa a Rodovia Anhanguera. Na Rodovia Presidente Dutra, uma das mais movimentadas do Brasil, 90% dos veículos que transitam pela rodovia não pagam pedágio. E se os não pagantes começarem a pagar, o preço do quilômetro rodado será reduzido de forma drástica, de modo a beneficiar 100% dos que utilizem a rodovia, explicou.

Reconhece que a cobrança por quilômetro rodado - que está em fase de testes na Rodovia Santos Dumont, em Indaiatuba - já foi um avanço. O assunto foi avaliado por uma Subcomissão da Assembleia Legislativa, criada por sua iniciativa. Só essa movimentação provocou uma articulação do governo que antecipou algumas medidas. Acredita que esse seja o modelo mais justo para todos aqueles que utilizam a rodovias.

QUILOMBO

Uma outra bandeira de luta do parlamentar estadual começou a se concretizar no atual mandato. Afirmou que há muito tempo defendia criação de uma área de proteção ambiental no Ribeirão Quilombo, que nasce em Campinas, passa por Paulínia, volta para Hortolândia, Sumaré, Nova Odessa e atravessa Americana de ponta a ponta, da SP-304 (Rodovia Luiz de Queiroz) e deságua no Rio Piracicaba. Nesse percurso recebe uma contribuição de esgoto industrial e doméstico nas cidades.

Campinas fez um grande investimento através do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do governo do presidente Lula e trata hoje algo em torno de 85% dos detritos despejados na nascente do Ribeirão Quilombo. Hortolândia trata 100% do esgoto. Sumaré, segundo disse, está um pouco atrasada no seu processo de tratamento de esgoto, mas está construindo estação de tratamento. E Nova Odessa inaugurará nos primeiros meses de 2012 a ETE (Estação de Tratamento de Esgoto), também fruto de verbas do governo federal pelo PAC.

Americana separou nas margens do Quilombo os dois emissários para a Estação de Tratamento de Esgoto, mas, segundo Mentor, o projeto está parado nesse momento, mas há recursos do PAC 2 para recuparar e elevar a eficiência da ETE Carioba. Resolvida a questão do tratamento do esgoto, ainda faltava uma legislação que regulasse a utilização das margens do Quilombo, para recuperação das margens.

Faltava uma lei que garantisse a conservação das nascentes, a recuperação da mata ciliar e do pouco que ainda resta de mata nativa, e do rebaixamento da sua calha para retirada do lodo que se acumulou no fundo. Mas a lei foi aprovada recentemente pela Assembleia. Agora o petista aguarda a sanção da lei pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) para criação da APA (Área de Preservação Ambiental) do Ribeirão Quilombo.

E, dai para frente, é só discutir um consórcio entre municípios da Bacia para que as ações sejam articuladas entre todos os municípios banhados pelo Quilombo. Porque, alega, não adianta um município cuidar do seu trecho se os demais não fizerem a mesma coisa. Ressaltou que esta é uma proposta para a região. Acredita que esta é uma vitória grande da região.

METRÔ

Na visão de Mentor, politicamente este foi um ano bem tranquilo na Assembleia Legislativa.  A oposição teve um embate mais forte no processo de fiscalização e investigação de denúncias que surgiram através da imprensa e do Ministério Público. Conseguiu as 32 assinaturas para constituir a CPI (Comissão Especial de Inquérito) dos Pedágios, mas aguarda na fila para ser instalada.

Está com um processo relativo à linha 5 do Metrô. Seis meses antes da abertura dos envelopes da concorrência um jornalista da Folha de S. Paulo anunciou qual seria a firma vencedora, com registro do resultado num Cartório de Registro de Títulos de Documentos.

Isso causou um rebuliço grande, a suspensão do processo de licitação e a demissão do presidente do Metrô. O petista disse que a oposição não quer paralisar a obra, mas saber exatamente o que aconteceu. A Assembleia Legislativa se debruça sobre essa questão para investigar.

RELACIONAMENTO

O relacionamento entre o governador e os deputados, inclusive os da oposição, foi avaliado por Mentor. Já era deputado quando Alckmin substituiu Mário Covas e também quando assumiu o governo pela primeira vez. Na avaliação do parlamentar, há uma diferença muito grande no comportamento do governador no primeiro e no segundo governo.

Mentor disse que adota uma estratégia diferente e bem melhor. Reconhece que ele está mais aberto ao diálogo, com disposição diferente e melhor no novo mandato. Mesmo sendo de oposição reconhece publicamente que há uma melhoria na qualidade do relacionamento entre o Executivo e o Legislativo do Estado.

- Vai aprendendo, comentou Walter.

- É, possivelmente, gracejou Mentor.

RECESSÃO

Ano que será um ano de cautela, como disse Walter Bartels, por causa das turbulências na economia mundial. Mentor concorda com ele. Disse que a política econômica adotada pelo governo Lula já durante a crise de 2008 e 2009 que foi repetida agora pela presidente Dilma Rousseff (PT) com incentivo ao consumo, mantendo a produção em alta e o emprego ativo no país permitiu que os efeitos da crise no mercado comum europeu não atingissem tão fortemente a economia brasileira.  É claro, ressaltou, sempre quer mais, mas, diante desse clima econômico internacional, acredita que o Brasil crescerá em torno de 3% ou até um pouco mais em 2011.

"O Brasil passa por esse momento de maneira heróica. E a expectativa para o ano que vem é a manutenção desses mesmos paradigmas na política econômica para que a gente possa recuperar o fôlego e voltar a crescer algo em torno de 5%. Essa é a expectativa que a presidente Dilma tem e o ministro Mantega também revelou na sua última entrevista."

Para a região do Polo Têxtil as notícias também foram importantes no último período com adoção de medidas que protegem a produção industrial da cadeia têxtil, de modo que essa última alteração na tributação dos produtos importados, especialmente da China, vem, de alguma maneira, proteger o mercado interno e a produção nacional, comentou.

Anteriormente já havia sido implantada a mudança na cobrança dos encargos sociais da folha de pagamento para o faturamento. Isso garante também um incentivo a mais para o setor têxtil na área de confecção, que usa mão de obra intensiva, de modo que o governo também tem se preocupado. É claro, disse Mentor, que o governo não atenderá 100% da demanda do setor, mas tem olhado com atenção e dado respostas importantes para a cadeia têxtil que impacta fortemente na região. Está otimista com relação ao ano que vem. Acredita que o pais vai crescer, gerar emprego e distribuir renda.

AGRADECIMENTO

Como todo mundo faz nesta época do ano, Mentor também fez uma reflexão sobre o ano que se encerra. "Eu particularmente só tenho a agradecer", disse Mentor. "Agradecer a Deus em primeiro lugar por ter me dado forças, saúde e disposição para continuar desempenhando a minha tarefa, a minha missão. Por essa razão eu imagino que só possa agradecer. Agradecer a todos aqueles que me acompanharam nesse período. Agradecer a minha família, meus filhos, meus netos, minha mulher por terem me dado apoio, por terem me incentivado, estimulado para continuar desenvolvendo meu trabalho. Mesmo nos momentos mais difíceis, momentos mais complicados da vida, quando a gente tem força para enfrentá-los a gente precisa, ainda assim, agradecer. Agradecer sempre para que a gente possa trilhar o nosso caminho".

ENTREVISTADO
Antonio Mentor de Melo Sobrinho | Está no terceiro mandato como Deputado Estadual pelo PT. Foi vereador de 89 a 92. Entre 1999 e 2000, foi secretário de Governo de Americana. Mentor apoia movimentos sociais e atua na captação de recursos, estaduais e federais, para os municípios da RMC.
ENTREVISTADOR
Walter Bartels | Nascido em Americana, em 07 de maio de 1949, é diretor de Jornalismo da Rádio Notícia de Americana. É jornalista há mais de 30 anos.

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