O número elevado de furtos e roubos de veículos em Americana é um dos grandes problemas na área de segurança. Quem admite isso é o diretor da GAMA (Guarda Armada Municipal de Americana), Marcelo de Barros Feola, o Téo Feola. E, para combater este tipo de delito aposta no aumento do patrulhamento ostensivo a partir deste mês e da implantação do sistema de monitoramento com câmeras de vídeo até o final de fevereiro, como disse em entrevista ao jornalista Walter Bartels, no programa Jornal da Notícia de ontem.
Segundo o diretor, a cidade é relativamente segura, principalmente quando comparada a outros municípios do mesmo tamanho. Afirmou que Americana tem baixos índices de crimes violentos, mediante violência, como roubos, roubo à mão armada e homicídios. Os números são bastante baixos em relação a esses tipos de crime, ressalta. Mas, em compensação, o problema é o crime contra o patrimônio - o furto de veículos.
Para inibir esta prática, a corporação, em dezembro, dobrou seu efetivo nas ruas. Devolveu 11 viaturas alugadas e recebeu 26 novas viaturas, dos quais 21 Gols 1.6 e cinco Jettas 2.0. A partir deste mês, antecipou Feola, a Guarda atuará de maneira mais ostensiva, preventiva, com vistas principalmente ao furto de veículos. Reconhece que este é um delito de difícil prevenção e previsão. Hoje, para se ter noção, se furta um carro em 30 segundos. Então, justifica, não consegue ter viaturas em todos os cantos da cidade para ficar presente para acabar com esse tipo de delito.
VIDEOMONITORAMENTO
Mas, garante, trabalhará para reduzir as estatísticas. E almeja zerar esse tipo de crime, embora considere a meta uma utopia. Outra arma contra os furtos será a operação do videomonitoramento na cidade, com softwares inteligentes que captam as placas dos veículos furtados quando se evadem da cidade e quando os bandidos retornam com os carros.
Feola esteve ontem na sede da Agemcamp (Agência Metropolitana de Campinas) para saber sobre o andamento do projeto. Foram liberados pelo FundoCamp (Fundo da Região Metropolitana) e pelo Conselho de Desenvolvimento, formado pelos 19 prefeitos da RMC, uma verba de R$ 600 mil a cada cidade para colaborar com o projeto de videomonitoramento. E acredita o diretor que até o final de fevereiro este projeto estará instalado em Americana. Está confiante que esses investimentos reduzirão drasticamente o furto de veículos.
Se houver necessidade, o sistema de câmeras controladas por um terminal remoto pode dizer também se os documentos dos veículos estão irregulares, mas o software relaciona as placas dos veículos furtados ou roubados na cidade em todos os delitos, quando os carros entram e saem na cidade. Mas fiscalizar a documentação não é o objetivo. Mas as câmeras também serão úteis para monitorar veículos envolvidos em outros delitos, como motos suspeitas realizando saidinha de banco. Aliás, uma prática que se tornou muito comum não só em Americana, como na região.
EFETIVO
Hoje, o efetivo da corporação é de 340 guardas municipais, contra os 190 encontrados no início da gestão atual. Em 2010 foram contratados 70 guardas, dos quais 30 femininas, para formar o primeiro pelotão de mulheres. Em 2011, foram contratados mais 80 patrulheiros. Foram aplicadas 1,2 mil horas de aulas, quatro vezes mais do que é exigido por lei, para preparar os guardas para a função.
Acredita que o pelotão feminino dá resultado. Antes não podiam fazer averiguações, abordagens e revistas em mulheres. Para dimensionar o problema, de três a quatro procurados por mês retornam às cadeias em abordagens feitas pelos guardas. Nos meses de saídas temporárias em festas, seis procurados por vez retornam às cadeias por abordagens e averiguações pelos patrulheiros, entre os quais estão as mulheres.
"Então eu acho que foi uma providência extremamente importante". As guardas femininas também trabalham no sentinela da guarda, no controle, no despacho das ocorrências. O atendimento prestado pelas guardas femininas é muito bom, elogiou. A sensibilidade feminina é muito grande, menciona.
ATENDIMENTOS
A média da corporação é de 3,2 mil ocorrências mensais, incluindo averiguações; patrulhamentos; abordagens; ocorrências sociais; do GPA (Grupo de Proteção Ambiental), como descarte de resíduos líquidos, sólidos, queimadas ilegais; e ocorrências de trânsito. A média é de 100 ocorrências por dia.
O número de ocorrências aumentou em dezembro, até mesmo em função do aumento de efetivo e das viaturas em circulação nas ruas de Americana. Foram 4,5 mil ocorrências registradas no final do ano, até mesmo por conta da Operação Papai Noel, quando fechado o cerco a atuação de flanelinhas e mendigos e feito o combate a pequenos furtos.
Além do furto e roubo de veículos, o segundo maior problema enfrentado pela corporação é o tráfico de drogas. Tanto que a maioria dos flagrantes é em decorrência da venda de drogas. E a corporação tem procurado ser contundente e bater com veemência contra esse tipo de delito, reafirmou. Tem realizado patrulhamento mais comunitário, para aproximar a corporação da população. E tem realizado ações sociais, porque entende que coibir o tráfico é um jeito de cuidar das famílias, de evitar que as crianças sejam envolvidas no uso e tráfico de entorpecentes.
APERFEIÇOAMENTO
Nesse momento, os guardas passam por um aperfeiçoamento. Segundo Feola, tem nos quadros da corporação guardas especializados nas mais diversas áreas. E são privilegiados os guardas "prata da casa" nessas capacitações. Conta com uma equipe de tiro, o GIAT, que tem quatro instrutores de tiro cadastrados na Polícia Federal e dão as instruções aos demais integrantes da guarda. É considerado relevante esse grupamento porque existem no Estado apenas 50 instrutores de tiro cadastrados na PF, dos quais 20 pertencentes às guardas e dos quais quatro atuam em Americana.
Ainda conta nos quadros com guardas especializados em direção defensiva e pilotagem, direção evasiva, abordagens, cursos táticos. Os especialistas promovem os cursos e, depois, os alunos repassam as informações aos integrantes da corporação. A corporação rem condição de dar cursos para ela própria, de estimular o aperfeiçoamento e de melhorar a capacitação e instrução dos patrulheiros, ressaltou.
A guarda ainda dá cursos para outras corporações, pois é apontada como referência. No ano passado, por exemplo, os guardas formaram dois guardas de Santo Antonio de Posse e fizeram a formação de tiro de uma equipe de guardas de Artur Nogueira. Deram instruções para a guarda de Amparo e de defesa pessoal para a Guarda de Salvador, que ainda é desarmada. Fizeram a instrução de tiro para 600 guardas de Guarulhos. Ontem chegou pedido para formar 16 guardas de Potirendaba. A instrução dos novos guardas na cidade foi de primeira linha, argumentou Feola.
RELACIONAMENTO
Se, no passado, o relacionamento entre a Guarda Municipal e a Polícia teve lances de truculência e até registro de boletins de ocorrência entre as corporações, por concorrência no atendimento das ocorrências, o relacionamento atualmente é considerado ótimo por Feola. Tanto que tem policiais militares que são seus amigos pessoais. Cada corporação funciona sobre seu comando, estatística e indicadores sociais, mas, muitas das vezes, realizam trabalhos em conjunto, explicou Feola. É o caso da base móvel de monitoramdnto, revezada com a PM, em alguns locais. O relacionamento é bom em Americana e quem ganha é a população, citou.
CRACOLÂNDIA
Bartels ainda perguntou a Téo se Americana corria o risco de ter uma cracolândia, nos mesmos moldes de São Paulo, ao repercutir um tema abordado pela televisão ontem. Na análise de Feola, qualquer grande cidade metropolitana convive hoje com a epidemia do crack. Não há como comparar as duas cidade, porque a discrepância é muito grande, afirmou. Americana também enfrenta o problema da proliferação do consumo do crack, mas numa proporção muito menor.
Argumenta que a Guarda tem procurado combater o tráfico de drogas com veemência e contundência. Tanto que dia sim, dia não, os guardas têm realizado flagrantes por venda de drogas, nas mais diversas dimensões possíveis. Engloba desde aquele que está com 20 porções de crack e dinheiro trocado que faz o pequeno tráfico até grandes apreensões, como uma ocorrida em dezembro, que resultou na retirada de circulação de um quilo e meio de cocaína.
"Então a Guarda tem procurado fazer sua parte na questão da segurança. Porém, é um problema que extrapola hoje a questão da segurança. É um problema de saúde pública. Esses viciados são doentes, que precisam de um tratamento, de um acompanhamento, de um monitoramento. Não que a parte da segurança não deva ser feita. E tem sido realizada a contento e sempre a Guarda Municipal com olhos para o tráfico de drogas tem procurado combater o tráfico. Mas a gente precisa de ações ai na área da saúde, da assistência social para conseguir combater esse vício que é uma epidemia, hoje, nacional", esclareceu.
O vício tomou de tal forma o viciado que perde a noção do que é certo e errado. Tanto que em São Paulo as imagens mostraram viciados consumindo tranquilamente a droga em seus cachimbos enquanto policiais militares faziam batidas na cracolândia. Feola convive diariamente com essa triste realidade e já notou que em Americana os usuários perdem a noção moral.
"É triste de ver. Foi um cena chocante ontem. Eu estava assistindo. A gente que trabalha com segurança, que, às vezes, está até mais habituado a esse meio ai ontem foi uma cena chocante de se ver principalmente por aqueles alojamentos improvisados, aquelas moradias precárias. É triste. E é um problema que tem que ser resolvido, enfrentado pelo poder público, acredito eu numa dimensão muito maior por governo federal, estadual e município, cada um fazendo sua parte, cada um se doando, cada um procurando contribuir para essa questão. Só assim a gente vai conseguir avançar um pouco nessa situação".
